Mais um dia dos
namorados sozinha. “É só uma data comercial”, pensou ela enquanto caminhava para
casa e reparava as pessoas andando na rua. Algumas com presentes nas mãos.
Flores, caixas de bombons, embrulhos, cartões. Pessoas que falavam ao telefone
com emoção, com voz de criança e cheias de risinhos bobos. Outros andavam
cabisbaixos, chateados, como se estivessem numa depressão
profunda.
Não tinha nenhum programa especial para aquele
dia. Afinal, não tinha namorado. Também não queria ficar em casa pensando nos
por quês de todos os anos estar sozinha nessa data. Parecia sina. Era só ir
chegando o mês de junho que ou ela terminava um romance, ou eles lhe davam um pé
na bunda.
Ligou pra uma amiga solteira. Em depressão.
Tentou a segunda: chorava. Desistiu da terceira e resolveu ir sozinha ao cinema.
Ela não era a única pessoa só naquele dia e com certeza outros solteiros também
pensariam em ir ao cinema.
Chegou em casa. Tomou banho, jantou e pegou o
encarte do jornal. Olhou os filmes anunciados. Nem pensar em assistir comédias
românticas. Escolheu um filme de suspense. Se arrumou e
foi.
No shopping todos se amavam. Eram casais pra
todos os lados. Olhando vitrines, escolhendo presentes, jantando nas praças de
alimentação. “Só porque é dia dos namorados toda essa gente se ama. Amanhã
voltam a se matar, a terem discussões, a serem pessoas normais”, não conseguia
parar de pensar como era incrível o que uma data causava nas
pessoas.
Na fila do cinema nada de diferente. Uma enorme
pra assistir as comédias românticas. Só casais. Todos melosos e cheios de amor
pra dar. Outra fila menor. Só solteiros pra olhar o filme que ela mesma tinha
escolhido. Reparou que o número de homens na fila era maior que o de mulheres.
“Sim... Eles nunca ligam pra essas coisas mesmo. Pra eles tanto faz passar o dia
dos namorados sozinhos. Mulheres é que são sensíveis demais e sofrem com isso.
Como eu queria ter menos hormônios femininos”.
Comprou pipoca, refrigerante e umas balinhas.
Escolheu um bom lugar, na parte superior da sala, e se sentou esperando a sessão
inciar. Reparou nas pessoas que entravam na sala. Poucos casais. Muitos
solteiros. Poucas mulheres, muitos homens. Alguns em bando. Foi um desses bandos
que sentou em sua fileira.
O filme era melhor do que ela realmente
esperava. Esqueceu do dia dos namorados e se concentrou no filme. Ali parecia
que o mundo voltava ao normal. Que não existia na rua milhares de casais fazendo
juras de amor eterno. De repente algo começou a chamar sua atenção. O menino ao
seu lado não parava de olha-la. E quando ela virava o rosto, ele, rapidamente,
virava pro outro lado.
Na saída do cinema ele chegou pertinho dela.
Tentou puxar papo: “Gostou do filme?”. Ela ignorou a conversa e continuou
andando. Pensou um pouco no que estava fazendo. O que teria a perder? Nunca
tinha passado o dia dos namorados com alguém e talvez essa fosse sua chance.
Desacelerou o passo. Esperou que ele se aproximasse novamente e respondeu :
“adorei e você?”.
Começaram a conversar. Bater papo. Resolveram
tomar uma cerveja juntos. Riram das teorias sobre o dia. Falaram da vida,
profissões, relacionamentos, coisas sem nexo e sentimentos. Ele convidou pra
esticarem numa danceteria. Ela topou.
Depois do cinema, do bar e da festa voltou pra
casa apaixonada. Não tinha um namorado, ainda, mas sentia que um novo amor
começava a surgir em sua vida. Foi seu primeiro dia dos namorados acompanhada.
Foi a primeira vez que sentiu que valia a pena estar com alguém naquele dia. E
ganhou o melhor presente de todos do mundo: o amor.
Leiam meus contos:Docecomomel Contista erótica
Fonte texto:http://causoseprosas.blogspot.com.br/2010/01/o-melhor-presente-do-mundo.html
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